Correio eletrônico: um forte meio causador da mágoa contemporânea

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Correio eletrônico: um forte meio causador da mágoa contemporânea

Em momentos de apreensão, raiva, descontrole e/ou emoção, quantos de nós já não apertaram o botão “Enviar” do gerenciador de e-mails para, em seguida, se arrepender profundamente?

Provavelmente muita gente já passou por essa experiência. Mas, infelizmente, depois que se envia um e-mail, não existe a possibilidade de evitar que o destinatário o receba, a menos que questões técnicas impossibilitem o encaminhamento da mensagem.

A facilidade de comunicação proporcionada pelo correio eletrônico e por programas de mensagens instantâneas se reverte em um grande desafio: lidar com a variável “tempo”.

Antes de direcionar a alguém uma mensagem eletrônica que possa causar mágoa ou rebatê-la, o ideal seria utilizar alguns minutos para pensar nas seguintes questões:

“Eu vejo a feição da pessoa que lê minha mensagem?”

“Eu consigo entender o estado de espírito dessa pessoa?”

“Eu sou racional a ponto de pensar antes de responder?”

“Eu tenho a habilidade de me lembrar de todo um histórico de coisas boas que recebi do destinatário e proporcionei a ele?”

“Eu sei usar palavras que irão descrever se estou tranqüilo ou nervoso?”

“Eu dou o direito à outra pessoa de entender o meu ponto de vista e perceber que as palavras utilizadas refletem realmente minha opinião?”

“Eu estou ciente de que dar uma resposta agressiva pode significar imaturidade para resolver a situação pessoalmente; ou seja, fuga da responsabilidade?”

“Eu compreendo que um simples mal-entendido, causado talvez por uma palavra mal dita, pode gerar uma grande confusão?”

“Eu percebo que os meus dedos escrevem de forma rápida, movidos pela irracionalidade da situação, e que, por outro lado, minha boca fala em sintonia com o meu cérebro, usando a emoção e a razão de forma mais completa?”

“Eu realmente quero escrever esse texto? Revisei-o? Usei nele palavras cordiais?”

“Eu sei, de fato, qual o perfil da pessoa que está recebendo meu e-mail? Minha linguagem é pertinente ao estilo e à personalidade dela?”

“Eu sou humilde o bastante para evitar uma discussão, desavença ou mágoa a qualquer momento, esquivando-me de enviar mensagens de conteúdo agressivo?”

“Eu sou suficientemente humilde para reconhecer que mesmo tendo razão na discussão devo às vezes preferir o bom senso ao direito de resposta?”

A resposta a cada um desses tópicos (entre outros) marca a diferença entre magoar ou não as pessoas, enfraquecer ou não os relacionamentos que mantemos com elas e, em casos mais graves, pôr ou não fim numa relação já construída por conta de momentos regidos por irresponsabilidade ou imaturidade. Existem pessoas que, ao ler uma mensagem negativa, concluem: “Puxa vida! Quem escreveu isso não está legal. Vou ligar para essa pessoa e perguntar se está tudo bem, para tentar entender melhor essa mensagem.” Esse tipo de atitude – rara – usa sabedoria, perdão e maturidade.

Mas nunca se viu tanta gente magoada por mensagens malditas e mal ditas transmitidas eletronicamente pela comunicação moderna. Tem gente que vê o mesmo texto e pensa: “Que desaforo! Que falta de respeito! Vou responder agora e à altura para mostrar quem está certo.” Esse tipo de pessoa dá início a um processo em que todos perdem a razão e no qual a única ordem é fazer prevalecer a própria opinião sobre a do outro, criando um ciclo sem fim de agressões e, muitas vezes, instigando o término do relacionamento se nenhuma das partes toma a atitude consciente de reconciliação.

Há ainda os que recebem a dita mensagem e lamentam: “Que decepção! Jamais esperei isso. Magoei-me profundamente. Minha amizade foi traída. Daqui para a frente, acabou.” Essa é a reação de indivíduos que, sem dar um retorno, simplesmente decidem colocar um ponto final no relacionamento. Entretanto, sempre temos na mão a solução para problemas como os descritos. Por isso, fuja das mensagens mal ditas. Caso as receba, use a inteligência divina e pratique o perdão, em vez de responder como um robô magoado. Ou, então, ligue para quem lhe escreveu algo que não foi de seu agrado ou converse pessoalmente com esse alguém. Diga: “Amigo, recebi sua mensagem, mas não a entendi. Você poderia me explicar melhor o conteúdo?” Faça isso com a certeza de conseguir, pelo menos na maioria das vezes, diminuir ou eliminar de vez o mal-estar surgido. Assim é bem provável que você mesmo acabe ouvindo um pedido de desculpas daquele que há pouco o desestimulou com um e-mail. E lembre-se: a capacidade de não julgar ou criticar o próximo é uma atitude milenarmente eficaz para conservar fortes nossos laços e fazer amigos.

Cuide de suas amizades, dos relacionamentos mantidos no emprego e na vizinhança, bem como de todas as outras relações formadas vida afora adotando essa postura e comprovando sua eficácia. Acredite: ela funciona mesmo – palavras de quem sofreu para aprender essa lição

Marcelo Peruzzo
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