O Segredo do Pastel de Feira

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O Segredo do Pastel de Feira

Professor e consultor de Marketing Marcelo Peruzzo fala sobre o poder do marketing de experiência, uma ferramenta capaz de induzir ao consumo de itens que, ainda que tenham qualidade duvidosa, trazem uma sensação de bem-estar relacionada a experiências vividas no passado pelo consumidor.
Quem não se lembra daquele pastel de carne, queijo ou palmito vendido na feira livre?

Muitos mantêm seu sabor vivo na memória durante o resto da vida e consideram-no o melhor pastel do mundo.

A maioria dessas pessoas, porém, não se dá conta de que o que torna esse produto tão especial e inesquecível é a situação em que ele é consumido e não propriamente o lugar onde é comprado ou o indivíduo que o faz.

A razão dessa agradável recordação do pastel ser comum a tantos brasileiros está relacionada com uma das modalidades de marketing mais eficientes que existem – a que diz respeito à experiência.

Um dos sinônimos da experiência é a prova.

Diariamente nos deparamos com a prova de algum produto ou serviço.

Em contato com nossos sentidos, ela nos induz à gravação de uma série de informações que, aliada à emoção, se transforma em um dos vários momentos inesquecíveis da vida de cada um.

Esses momentos, no entanto, não trarão no futuro apenas a saudade de fatos ocorridos anteriormente, mas o impulso para o consumo de algo.

Uma pesquisa inédita realizada pelo professor e consultor Marcelo Peruzzo com mais de 1100 pessoas de diversos pontos do Brasil, indica que o tradicional pastel de feira livre é comprado não por seu sabor e qualidade, mas pela sensação implícita de bem-estar trazida do passado ou pela recordação de uma pessoa muito querida.

“Essa sensação é tão intensa que é capaz de impulsionar o consumidor a realizar atos imprevistos, como, por exemplo, passar pela banquinha do pastel e, mesmo estando sem fome, não resistir e comprar um pastel”.

A pesquisa revelou que 73,27% têm lembranças positivas do pastel de feira livre.

Os demais 26,73% se mostraram indiferentes ao assunto ou negativos em relação a ele.

E 67,24% afirmaram que a lembrança positiva e saudosa provinha de uma experiência vivida anos atrás, quando um parente muito próximo (normalmente a mãe ou avó) os levou para fazer compras na feira livre e lhes deu, como prêmio, um pastel.

Apenas 32,75% aliaram a compra do pastel a sua qualidade como produto alimentício.

O Marketing de experiência pode levar o cliente a tornar-se fiel.

“Quando se cria com um produto ou serviço, uma experiência extraordinária na vida do consumidor, ele passa e ser mais do que um cliente fiel. Esse indivíduo pode se transformar em um pregador ou uma espécie de advogado do item ou serviço que o cativou”, afirma Peruzzo. Segundo o professor, são raras as empresas atentas a essa estratégia.

“ É lamentável o fato de muitas organizações não fazerem questão de proporcionar experiências positivas para seus consumidores. Dessa forma, perdem a chance de transformá-los em agentes propagadores e eternos adeptos de sua marca”.

Marcelo Peruzzo
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