Cuidado! Você está sendo observado!

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Cuidado! Você está sendo observado!

A dinâmica do reality show está mais próxima do que você imagina do seu dia-a-dia – não duvide disso para o seu próprio bem.

Certa vez em uma aula de MBA, em determinado momento, expliquei aos alunos que, por mais que tentemos manter nossa privacidade, existem mecanismos de pesquisa que varrem a internet em busca de informações a nosso respeito.
Sugeri à turma que visitasse os sites Google, MSN, Altavista, Lycos, entre outros sistemas de busca disponíveis na Web, e que cada um colocasse seu nome entre aspas como termos a serem procurados, como, por exemplo, “Marcelo Peruzzo” ou “Professor Peruzzo”. Ao realizarem tal tarefa, descobriram quanto falavam deles e, o mais inusitado, quantas informações pessoais e dados importantes de empresas estão expostos à sociedade. Um rapaz do grupo, com conhecimento mais aprofundado sobre a tecnologia da internet, foi o que se mostrou mais interessado pelo assunto.

Antes de finalizar a aula, enfatizei a seguinte frase: “Queridos alunos, ser uma pessoa de bem hoje não é um ato altruísta e muito menos um diferencial de mercado. Graças à tecnologia da informação, suas atitudes, comportamento e resultados estão cada vez mais acessíveis. Por isso, ser do bem é questão de sobrevivência, ao passo que ser do mal significa fechar todas as portas e perder as oportunidades oferecidas pelo mercado. Lembrem: hoje a situação está tão crítica, que até as pessoas do mal estão começando a ser do bem, talvez não porque querem isso, mas porque precisam se manter no mercado.” Para concluir, eu disse: “Preservem a marca mais valiosa de sua vida – seu nome.”

Coincidência ou não, um ano depois reencontrei, também em sala de aula, o rapaz que naquela circunstância ficara interessadíssimo no tema abordado. Antes de a aula começar efetivamente, ele falou: “Peruzzo, lembra-se daquela estratégia para checar a visibilidade das pessoas e ter acesso às informações sobre elas? Recentemente, resolvi procurar na internet o histórico do professor com quem estudo Controle Financeiro. Descobri que o nome dele constava em alguns processos judiciais, que tinha comprado um BMW financiado e que sete das parcelas estavam em atraso, que tinha problemas com a ex-esposa e que a última empresa em que trabalhou como diretor financeiro faliu!”

Fiquei assustado com tal procedimento de averiguação, traçado por completo, e principalmente com a reputação daquele profissional, cuja atividade era a de expor pensamentos e repassar ensinamentos em público. Que moral tinha esse professor para falar sobre controle financeiro? Será que palestrantes, professores, conselheiros e profissionais afins, pagos para transmitir informações tidas como confiáveis, realmente sustentam na sua vida particular os preceitos que difundem?

Criticar a atitude do aluno é fechar os olhos para uma realidade. As pessoas desejam saber com quem mantêm relacionamentos, seja no âmbito profissional ou no pessoal, e a internet sem dúvida as ajuda a não cometer erros na escolha de parceiros, fornecedores e (por que não?) amigos. Quantas escolhas do passado poderiam ter sido diferentes se você tivesse acesso a informações como as hoje encontradas na internet? Em função desse cenário de reality show, no qual temos um nível cada vez maior de exposição, permita-me dar alguns conselhos:

Seja uma pessoa do bem. Nunca foi tão fácil destruir a reputação de um indivíduo por meio da internet. Um ato assim, efetuado por uma pessoa que realmente entende dessa tecnologia, pode nunca ter seu autor identificado. O ideal é perdoar, sem guardar mágoas. Mas nem todos fazem isso. Há traiçoeiros de plantão, especialistas em “puxar tapetes”, que gostam de prejudicar o próximo apelando para atitudes baixas, mentindo e usando os outros em benefício próprio, que por covardia nunca confessarão seus erros às suas vítimas. A essas pessoas, estúpidas e sem o mínimo senso de ética, que acreditam que sua má índole sempre passa despercebida (quanta inocência!), alerto: cuidado!

Pessoas de caráter perdoam e sabem que quem planta, colhe. Por outro lado, rancorosos, como existem muitos por aí, não esperam a justiça divina entrar em ação. Em vez disso, apertam um botão do mouse e enviam para milhares de indivíduos estrategicamente escolhidos, da sociedade ou do próprio ambiente de trabalho, uma mensagem que pode causar a ruína do nome de um profissional.

Mas repito: ser do bem é uma atitude de sobrevivência. Quanto mais coisas boas fizermos, quanto mais formos do bem, mais fortalecida ficará a imagem de nosso verdadeiro caráter. Por outro lado, o troco aos que insistem em denegrir injustamente os demais hoje pode ser maior do que se pode imaginar, seja por meio da lei divina ou pelo botão do mouse que alguém bem magoado e sem juízo pode pressionar.

Respeito ao próximo e humildade são conceitos que devem fazer parte de uma reflexão séria, principalmente na vida daqueles que os desconhecem e que nem, ao mínimo, se dão o trabalho de pesquisar o significado de ambos em um simples dicionário.

Marcelo Peruzzo
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