Novos Aspectos da Concorrência

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Novos Aspectos da Concorrência

Pergunte ao tradicional comerciante brasileiro qual o seu maior concorrente. Um comerciante mais esclarecido pensaria mais longe, consideraria competidores todos aqueles que, em sua cidade, região ou país, atuem na mesma área.

Pergunte ao tradicional comerciante brasileiro qual o seu maior concorrente. Um comerciante mais esclarecido pensaria mais longe, consideraria competidores todos aqueles que, em sua cidade, região ou país, atuem na mesma área. Entretanto, o primeiro provavelmente acusará a pessoa mais próxima que oferece o mesmo produto ou serviço. Isso é chamado “concorrência de marca”, um conceito ultrapassado usado pela maioria dos executivos, uma visão estreita incapaz de prevenir o administrador contra os ataques fortes e cada vez mais precisos das forças competitivas ocultas.

As tais forças são a concorrência genérica, ou seja, o tamanho do bolso do consumidor. O concorrente de uma faculdade não são apenas as outras faculdades, mas as construtoras e os outros países. Alguns “causos”… O garoto do 2º ano do curso de graduação está feliz da vida por descobrir que sua namorada está grávida. O rapaz ganha R$ 600,00 por mês e precisa alugar ou entrar num financiamento de algum imóvel. “E agora? Vou morar com a sogra e fico na faculdade ou largo a faculdade e tenho o meu teto?” Fato: largou a faculdade. Outro rapaz, 4º ano de curso, tem a oportunidade de estudar fora do país, bastando para isso fazer um pouco de economia e… largar a faculdade. Fato: largou a faculdade. Muitos alunos deixam de contribuir anualmente com as instituições de ensino devido a esses motivos. Em tais situações, o concorrente não foi nenhuma entidade do segmento de educação.

Qual será o maior concorrente da caneta e do papel? Você sabe a resposta. Afinal, quem não utiliza diariamente um editor de textos pelo computador? E no ramo dos refrigerantes, a Coca-Cola é concorrente da Pepsi? Se pensarmos de forma tradicional, a resposta é afirmativa. Mas a visão deve ser diferenciada. Visite os websites dos dois produtos! Enquanto a Coca-Cola se posiciona como um produto para a família, a Pepsi coloca toda sua estratégia na realidade da nova geração, dos jovens. Posicionamento diferente, concorrência diferente. O processo é tão forte que o senhor de 50 anos, com aquela gatinha de 20 anos na garupa da sua Harley-Davidson, não toma Coca-Cola, mas, sim, Pepsi.

Imagine a seguinte situação: o consumidor entra no supermercado, e a Coca-Cola e Pepsi estão brigando mortalmente por ele. O destino de ambas as bebidas está na decisão estratégica do consumidor de entrar no estabelecimento pela esquerda ou pela direita – normalmente as gôndolas de refrigerantes ficam posicionadas naquele lado. Se a decisão for entrar pela direita, a Coca-Cola e a Pepsi passarão por um caminho mais árduo. A maioria dos brasileiros possui uma quantia pré-estabelecida para suas compras. A cada corredor, produtos de necessidade básica, como os de higiene pessoal, frutas e verduras, massas, bolachas, carnes, entre outros, vão pro carrinho. Ao alcançar a seção de bebidas, ainda há dinheiro no bolso do consumidor? Geralmente, a quantia já está curta nesse momento. Repare que até o presente instante, a Coca-Cola e Pepsi tiveram como concorrentes alface, peito de frango, tomate, fósforo, etc. Agora, no seu próprio setor, terão como concorrentes as bebidas com preço inferior. Nessa hora, quem compra esquece posicionamento, share of mind (lembrança de marca), posição de gôndola e outros artifícios de marketing para lembrar qual o produto compatível com o tamanho do seu bolso.

Diante de uma verdadeira revolução na concorrência, pode se dar o seguinte alerta: concorrente é todo aquele que ofereça extremo valor ao seu consumidor e retire dele a quantia necessária, independente do segmento de mercado, incapacitando este de adquirir outro produto similar, por mais que este seja do seu gosto. No terceiro milênio, os competidores são globais, exigindo das empresas competência, qualidade e, acima de tudo, humildade em aceitar os novos momentos mercadológicos.

Marcelo Peruzzo
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