Pesquisas em Xeque? – A guerra pelo cérebro “decisor” do eleitor

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Pesquisas em Xeque? – A guerra pelo cérebro “decisor” do eleitor

Pesquisas em Xeque?
A guerra pelo cérebro “decisor” do eleitor.
O que o eleitor diz, não é o que ele necessariamente faz.
Uma briga real entre o consciente e o inconsciente.

São Paulo, 07 de outubro de 2010 – Os recentes resultados das pesquisas para presidência da república, governadores e senadores, colocam em xeque a credibilidade de tais metodologias na averiguação das intenções de votos. Percebe-se uma corrida na busca dos motivos que levaram tais levantamentos, que apoiados “cientificamente” por amostras e margens de erros a priori confiáveis, cometerem tantos desvios. Segundo o Professor e Consultor de Marketing e Comportamento Humano, Marcelo Peruzzo, a causa está atrelada diretamente ao mecanismo decisório do cérebro, chamado de “cérebro reptiliano”, ou comumente descrito no Neuromarketing, como “Old Brain”, ou seja, Cérebro Antigo.

Peruzzo afirma que as nossas decisões conscientes, os quais levam em consideração a análise e comparação de julgamento lógico, são derivados do “New Brain”, ou seja, o Novo Cérebro, que tem a sua formação completa apenas aos 21 anos de idade. Primeiro ponto: Os jovens de 16 a 21 anos, votam muito mais por impulso e emoção, que pela análise racional. Tecnicamente, todo cidadão consciente deveria votar usando o seu “New Brain”, porém a força do marketing político, tem a capacidade de anulá-lo.

O “Middle Brain”, ou seja, a parte intermediária do cérebro, é responsável pelas nossas emoções e sentimentos. Quando ele é ativado, muitas vezes, o que é extremamente lógico, entre o certo e o errado, se torna nula, e a preferência e decisão se torna meramente emocional.

Peruzzo afirma que o grande problema é a parte mais primitiva do cérebro, onde existe o sistema de recompensa cerebral, que nos proporciona prazer, e mais ainda, é onde de fato, tomamos nossas decisões por impulso, muitas vezes, sem pensar. Os animais desprovidos do “New Brain”, tomam suas decisão pelo seu “Old Brain”, apenas pelo impulso, inclusive de sobrevivência.

Estudos recentes, provam que as ações de marketing podem atingir diretamente o “Old Brain”, dos consumidores e/ou eleitores, não dando a mínima chance para o “New Brain”, julgar ou analisar. Peruzzo cita 4 estratégias usadas pelo Marketing Político, para enganar o “New” e “Middle” Brain, e fazer com que o processo decisório seja realizado sem o mínimo de discernimento necessário para uma escolha tão importante:

– Nosso Old Brain é EGOÍSTA por natureza: Quando nascemos, temos apenas o “Old Brain” formado, e naturalmente os recém nascidos buscam por instinto a sua sobrevivência, procurando a sua fonte de alimentação. A palavra de maior impacto em uma campanha eleitoral é “VOCÊ”. Quando ela é citada, a informação vai diretamente ao Old Brain.

– O Old Brain é VISUAL: Ler, interpretar e analisar, é função do “New Brain”. O “Old Brain”, tecnicamente é ignorante. Entende apenas pelos apelos visuais. Ao realizar uma promessa, e mostrar algo visualmente atrativo, o “Old Brain”, não interpreta se é uma promessa ou uma realidade, apenas acredita e compra como verdade. Peruzzo ressalta que o nervo ótico conectado com o “Old Brain” é 40 vezes mais rápido que o nervo auditivo.

– Para o Old Brain, o que interessa é o INÍCIO e o FIM, o meio não interessa. Em uma experiência, a maior atividade cerebral se concentra no início e no fim. Se existir algo depreciativo no meio da experiência, isto não é tão relevante no processo decisório. O que vale, não é a pesquisa, mas sim o que o eleitor faz no final do processo, de frente a urna eletrônica. Ações de marketing político de última hora, podem causar mudanças significativas na decisão do eleitor.

– O “Old Brain” adora o Contraste: Quando se utilizado o “antes” e o “depois”, “com tal pessoa” e “sem tal pessoa”, traz ao “Old Brain”, situação de perigo e medo, o que faz com que ele fique atento em não perder algo prometido.

É no “Old Brain” que as atividades cerebrais de medo, perigo e dor acontecem. Quando colocamos na comunicação, seja diretamente ou de forma subliminar tais situações de emergência e sobrevivência, nossa decisão é imediata, sem necessidade do pensar. Exemplos típico do medo na política, é ameaçar tirar algo que foi concedido ao eleitor.

Prova destas estratégias é fenómeno de candidatos no formato visual de palhaço, com o exemplo do candidato a deputado federal em São Paulo, com mais de 1 milhão e 300 mil votos.

Peruzzo afirma que os Institutos de Pesquisa por enquanto são vítimas desta violenta abordagem mercadológica aos eleitores, porém se não se adaptarem e renovarem a forma na coleta e interpretação dos dados, terão sérios problemas em um breve futuro.

Fonte: Os adjetivos mercadológicos “New Brain”, “Middle Braim” e “Old Brain”, bem como as estratégias para atingir o processo decisório, estão descritos detalhadamente no livro “Neuromarketing – Understanding the Buy Buttons in your Customers Brain” dos autores
Patrick Renvoisé e Christophe Morin.

Nota: Com base na pesquisa consciente dos institutos de pesquisas, e nas últimas ações de Neuromarketing, o professor Marcelo Peruzzo, fez uma previsão do possível resultado das eleições do último dia 03 de outubro. Para ver a previsão postada no dia 02 de outubro, visite http://www.twitter.com/profperuzzo

Notas do autor: Marcelo Peruzzo é consultor e pesquisador do IP2 Outsourcing. Autor de vários livros, entre eles “O Líder Pensador – Quem pensa, manda. Quem processa, obedece.”, “Jesus de Gravata” e “O Caminho do Perdão”. Professor convidado da FGV Management nas areas de marketing e liderança. Premiado pela FGV Management nos últimos quatro anos, entre os 16 professores melhores avaliados na instituição.

Marcelo Peruzzo
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